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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

MONTE VERDE - Ivana Negri


Monte Verde
Ivana Maria França de Negri

Todo mundo tem direito a férias, tempo de descansar o corpo, arejar a mente e apaziguar o espírito.
É o tempo de repor as energias para enfrentar o batente com ânimos renovados e melhor disposição física.
Meu marido e eu passamos alguns dias em Monte Verde, uma parasidíaca vila ao sul de Minas Gerais, incrustada na Serra da Mantiqueira.
O mês de junho costuma ser bem gelado em lugares montanhosos, mas o ar é puro e o sol brilha bastante, sem no entanto aquecer muito.
As construções de Monte Verde seguem o estilo leto e alemão, herança dos colonizadores da região. E também lembram bem a cidade de Campos de Jordão nesta época do ano.
Ficamos hospedados num aconchegante chalé que lembrava as casinhas dos contos de fadas dos Irmãos Grimm. Janelinhas de madeira com cortinas de tecido xadrez arrematadas em crochê por mãos caprichosas. Enfeites de cerâmica, lareira e chaminé completavam o visual repleto de magia. Para quem se arriscasse, havia até uma tina de madeira ao ar livre, para imersão em águas de temperatura bastante elevada.
Por entre a vegetação e caminhos de pedra rodeados de hortênsias azuis e lilases, parecia que um gnomo ou um duende dariam o ar de sua graça a qualquer momento... Ou uma bruxa, no melhor estilo Branca de Neve, emergiria, com seu gargalhar estridente, da floresta de pinheiros que cercava o chalé.
Pequenos e ágeis esquilos vinham buscar pinhas e frutas em nossas mãos, sem apresentar medo algum dos humanos.
À noite, apenas o murmúrio de um riacho quebrava o silêncio da madrugada. E pela manhã, a grama ficava úmida de orvalho e quando o dia se apresentava mais frio, amanhecia coberta de geada. Aos primeiros raios do sol, pássaros diversos faziam sua algazarra matinal despertando os sonolentos hóspedes ainda embrulhados em pilhas de cobertores macios, o chalé recendendo a cinzas do que restou da lenha perfumada da lareira acesa na noite anterior.
Celular desligado, nenhum ruído irritante, e a natureza gritando silenciosamente aos nossos corações. O café da manhã vinha bem cedo, numa cesta coberta com alvas toalhinhas. O fumegante café preto, leite quentinho, sucos, frutas, pão de queijo, bolos e pães caseiros feitos na hora, eram irresistíveis!
Havia várias trilhas a serem exploradas. Escolhemos uma que chegava ao topo de uma das inúmeras montanhas. Logo no início da fria manhã iniciamos a caminhada. O céu muito azul convidava ao passeio, mas medrosa, pensei em desistir muitas vezes. Por fim, após a íngreme subida dos caminhos ora pedregosos ora encharcados, conseguimos chegar ao pico da “Pedra Redonda”. A visão panorâmica, acima das nuvens, me fez sentir como a própria Julie Andrews no filme “A Noviça Rebelde”. De braços abertos sentindo a força do vento, um momento de arrebatamento, o mundo a nossos pés a se perder de vista, fazendo com que a pequenez do ser humano, a nossa insignificância saltasse aos nossos olhos.
Enfim, as pequenas férias terminaram rapidamente e retornamos. Mais fortalecidos e enriquecidos com as experiências. Mais uma vez, a natureza mostrando sua grandiosidade, força e beleza. É dela que fluem as energias que necessitamos para viver.

Um comentário:

Blog de Ana Marly Jacobino disse...

Lendo sua crônica veio na minha mente a personagem da Noviça Rebelde e o seu rosto sereno deixando se acariciar pela brisa. Muito bom ler você Ivana.

Abraços Poéticos Piracicabanos

Ana Marly de Oliveira Jacobino