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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O canto do galo

O canto do galo
Elda Nympha Cobra Silveira


Era época de Natal, lá pelos anos quarenta, e ao contar essa história consigo sentir até o cheiro daquela pequena sala, dividida por um biombo para poder ser usada como um quarto de dormir do outro lado.Adelaide, a irmã mais velha da prole constituída de três meninas, sentiu vontade de fazer um presépio para enfeitar a sala e agradar suas irmãs menores. Sem experiência nenhuma, pois só tinha quinze anos, viu um presépio na igreja perto de sua casa e procurando imitá-lo, pegou a mesinha da cozinha e trouxe-a para a sala.Assim, foi cobrindo a mesa com pó de serra, fez um pequeno lago usando um caco de espelho, colocou uns patinhos sobre ele e pendurou uma estrela com um fio de linha usada para empinar pipas. Destacou, na frente de tudo, Jesus Menino, José e Maria e os animais do estábulo, todos feitos de barro, numa olaria próxima de sua casa chamada de "O Poteiro".Depois de pronto, as crianças entusiasmadas batiam palmas e pulavam de tão contentes. O presépio era uma novidade naquele lar.A saudosa avó materna das crianças era espanhola, e tinha morado junto com a família. E como toda avó, gostava de contar estórias trazidas de além-mar, dando-lhes vida e sonoridade.Uma das histórias era mais ou menos assim: Uns galos cantavam na madrugada da véspera do Natal, e um avisava o outro:- Jesús nació!- Adonde? -- preguntó otro gallo en la quietud de la noche.- En Belém. -- respondió el primero.- Quien te lo dice? -- volvio a preguntar.- Yo que lo cé?!Assim, os galos eram os arautos da Boa Nova: o nascimento do Menino Jesus. As três crianças, inspiradas pela estória contada pela avó Letícia, sentaram no peitoril da janela do quarto para ouvirem os galos, e entenderem o que um dizia para o outro. Desta maneira, poderiam guardar no coração, como a sua avó, o significado dessa linda madrugada. Observavam o céu à procura da estrela, que indicaria o caminho aos Reis Magos para encontrarem Jesus, antes que o Rei Herodes pudesse matá-lo.Assim, as meninas vestidas com suas camisolinhas sentiram o frio da madrugada e já com sono, fecharam a janela e foram dormir, lamentando não terem visto o Papai Noel, e sonharam mais ainda, com todo o encantamento dessa noite luminosa e cheia de expectativa.Logo de manhã, correram ao quarto dos pais para contarem que na noite anterior, tinham entendido direitinho o aviso dos galos, e que haviam se decepcionado, por não terem visto o Papai Noel. Adelaide, disse então: - Vamos até a sala ver o presépio?A emoção tomou conta daquele ambiente, pois lá estavam: a boneca de celulóide para Alice, uma cadeirinha de balanço para Julia e a bolsa verde de feltro que Adelaide queria, feita por sua mãe e toda bordada de flores.A alegria encheu aquela sala, e pais e filhas radiantes, comemoraram aquele Natal, mas faltava a presença da vovó Letícia, pois já morava no céu com Jesus. Sempre que o galo canta de madrugada, todos se recordam da querida abuela Letícia.

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