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domingo, 11 de outubro de 2009

Esmeralda sem rosto
Milton Martins

A primeira futura ex-namorada. Em nome dela, em sua homenagem, num domingo chuvoso de paixão, perdido no tempo, formulara alguns versos com rima pobre:"Como são fortes, candentesOs primeiros amores,ArdentesA primeira namoradaDúvida amargaAmada".
Toda essa relação apaixonada fora tão tímida, havia muito recato em se aproximar da possível futura namorada, naqueles idos. Uma torcida para que ela passasse na mesma rua após as aulas, no mesmo horário, um encontro silencioso e ansioso.
Encontros forçados, à espreita numa esquina qualquer, uma paixão ardente. Inesquecível.
A imagem dela na bicicleta, descolorida, meio enferrujada, sem rosto, um vulto, de branco. A rua cinzenta, vento gelado, o sobrado humilde desbotado, com muro baixo. Alguns gerânios vermelhos nos vãos e rosas vermelhas e amarelas no canto do jardim. Um buquê torcido no vento.
Esmeralda. Lembranças. Tudo passou de repente. Só o amor sem rosto ficou.
Amor ou lembranças que se perderam no tempo, não sei bem! Um pouco dos dois. Há desses instantes que não se perdem. Ficam porque tímidos, são instantes idos.
Fazia justa associação: uma espécie de La Esmeralda , a cigana, vulto deslumbrante de Victor Hugo no “Corcunda de Notre Dame”. Também sem rosto, deslumbrante, porém.

2 comentários:

Anônimo disse...

sucesso para o blog parabéns
Dulce Ramalho - SP

Anônimo disse...

Prezado dr. Milton: que prazer encontrar aqui este seu texto e a vocação incontestável para a literatura. Lindas lembranças, imagens fluídas de uma saudade que permanece... Lindo!
Parabéns pelo texto.
Marisa Bueloni