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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

“Carpe Diem”

“Carpe Diem”
Ivana Maria França de Negri

Esta expressão, que tem origem no latim, quer dizer mais ou menos isto: “colha o dia”. Diz Rubem Alves: “É como se a vida fosse um fruto maduro para ser degustado, pois no dia seguinte estará podre”.
Se o passado não existe, pois já se foi, e o futuro é uma incógnita, porque ainda não chegou, então, o melhor mesmo é aproveitar o presente, que é a única realidade que temos, o aqui, o agora, o imediato, o palpável.
Não se pode economizar a vida para gastá-la amanhã porque o amanhã pode não chegar. O tempo, esse ingrato, está sempre fugindo de nós, nunca se chega ao futuro, ele está sempre mais à frente. E, nessa ilusão, muitos passam a maior parte da vida poupando para ter no futuro e se esquecem de viver o presente. Um dia caem na real e lamentam o tempo desperdiçado, não aproveitado, e que não volta mais.
Economizamos conversas com pessoas queridas, pois não temos tempo, poupamos sorrisos, agrados e elogios que nada nos custariam. Deixamos para amanhã a reunião com amigos, o passeio com filhos pequenos ou netos, a viagem tão aguardada, o projeto do livro, vamos postergando os sonhos, investindo num futuro que nem sabemos se chegará. As crianças crescem depressa, os amigos se vão e as oportunidades são abortadas.
Há que se viver o presente, como se fosse mesmo um presente. Um presente de Deus, mais um dia para aproveitar da melhor maneira possível.
Num dos lindos poemas de Dirceu oferecidos do exílio à sua amada Marília, Tomás Antonio Gonzaga dizia: “Que havemos de esperar, Marília bela?/ que vão passando os florescentes dias? /As glórias que vêm tarde já vêm frias,/ e pode, enfim, mudar-se a nossa estrela./ Ah! não, minha Marília,/ aproveite o tempo,/ antes que faça o estrago de roubar ao corpo as forças,/ e ao semblante a graça!”.
O professor Keating, personagem de Robin Williams no filme A Sociedade dos Poetas Mortos, diz em certa cena antológica: “- Carpe, carpe diem, colham o dia garotos, tornem extraordinárias as suas vidas."
Não desperdicemos as horas com coisas inúteis. Cada minuto é precioso e único.
Na antiguidade o sol era o único relógio para contagemn do tempo. Era só observar sua sombra em relação ao horizonte. Mais tarde, o trabalho de cronometrar o tempo foi delegado às ampulhetas, conhecidas como relógios de areia. Cada grãozinho, uma fração de tempo, até que Galileu associou o princípio do pêndulo aos relógios, e os minutos e segundos começaram a ser contados. E o tic-tac começou a orquestrar o tempo da humanidade tornando-nos escravos das horas.
Não importa como se conte a passagem do tempo. Ele voa... Dizem até que nem existe! O tempo não passa, é estático, nós é que passamos.
Filosofias e sofismas à parte, conclui-se que a vida é o que acontece agora. O resto é ilusã
o.

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