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domingo, 27 de setembro de 2009

As três batatas



Cassio Camilo Almeida de Negri

A cidade era quase deserta, em meio à ocupação alemã, durante a segunda guerra mundial.
Vez ou outra passavam velozes caminhões Mercedes, carregados de soldados e tanques do Führer.
O silêncio da morte era entrecortado pelo ecoar das botas, cujas solas estatelando juntas durante a marcha, causavam um frio na espinha da família judia de três pessoas, escondidas atrás da parede falsa daquela casa .
De vez em quando, na escuridão da noite, rajadas de metralhadoras faziam parar sorrateiros passos noturnos daqueles que se atreviam a sair de casa em busca de alimento no gueto de Varsóvia.
Muitas vezes, botas pretas que abrigavam pés e pernas em pata de ganso, batiam duras nos degraus de madeira da escada,encostada na parede falsa.
Então, a respiração dos ocupantes do esconderijo ficava suspensa e o tempo parava.
-Seria hoje...? Pensavam os três.
Um suspiro de alivio, os pulmões voltavam a se encher, o coração disparava, quando, pelo buraco de rato,j unto a escada, lá estavam, mais uma vez, as três batatas.
Assim se passaram meses, naquela cidade semi fantasma.
Todos os dias,três batatas grandes, apareciam no buraco do rato.
Um dia, no entanto, após violento bombardeio, ouviu-se uma grande fuzilaria na escada.Algumas balas quebraram as paredes do esconderijo.
Após silêncio tumular,vozes num linguajar diferente do costumeiro.
A falsa parede é aberta e vários soldados americanos saúdam a família de judeus.
No pé da escada no entanto, um soldado morto, com a suástica nazista no braço, tinha em suas mãos semi abertas, três batatas grandes.

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